O passado, presente e futuro dos aplicativos mobile

No passado

No princípio surgiram os celulares com sistemas operacionais proprietários e aplicativos fixos, depois apareceram o Android e o iOS, permitindo que qualquer pessoa construísse apps.

As pessoas baixaram vorazmente qualquer aplicativo que apareceu pela frente, experimentando, para descobrir quais lhe eram mais convenientes. Havia (e ainda há) apps para finanças, tarefas, jogos e muitas outras coisas e o cool era ter os apps mais novos no celular.

Acontece que o mundo inteiro construiu aplicativos e eles se tornaram milhões. Nossos aparelhos celulares não suportaram, faltou memória e tempo para que experimentássemos tantas opções e passamos a nos acostumar com um grupo menor de apps no dia a dia.

No presente

Nos últimos dois anos, conseguimos ultrapassar a etapa da novidade e hoje praticamente todas as grandes empresas do país possuem aplicativos e algumas até construíram mais de um. As lojas (GooglePlay e AppleStore) possuem mais de 1,5 milhão de aplicativos e o número segue crescendo.

Nossos celulares foram infestados por vídeos e fotos de WhatsApp, nossos e-mails de spams e até nossas “nuvens” ficaram sem espaço disponível.

Com tanto conteúdo online, o acesso à Internet se tornou escasso e hoje precisamos escolher cautelosamente o que vamos baixar.

No futuro

Nos próximos anos, os aplicativos precisarão se integrar mais e nos oferecer informações realmente úteis. Estamos começando a sentir, com maior intensidade, a necessidade de assistentes virtuais.

Aplicativos que antes controlavam tarefas vão se integrar aos e-mails e às redes sociais; aplicativos de comércio vão se integrar aos de educação e ao conteúdo em geral para fazer vendas mais direcionadas; aplicativos financeiros vão se integrar aos bancos e a tudo que lhes cerca para viabilizar o consumo em geral.

Previsões

No futuro, curtir o anúncio de um imóvel será suficiente para que um aplicativo bancário ofereça um financiamento; marcar um encontro no WhatsApp será pretexto para mostrar opiniões sobre potenciais lugares e marcar o melhor horário para chegar lá; parabenizar alguém por seu aniversário engatará a recomendação de um presente, avaliando a condição financeira de quem parabeniza e as preferências de quem o receberá.

A “casa inteligente” vai conhecer suas preferências de temperatura, iluminação, músicas, monitorar os produtos na geladeira e fazer pedidos automaticamente. Será possível gravar configurações de ambiente para estudar, namorar, ler um livro e tirar um cochilo no fim de semana para que tudo se reconfigure com um clique. A revisão do carro será agendada automaticamente, levando em conta a distância da concessionária, o trânsito, os compromissos agendados e o saldo no cartão de crédito.

A seguradora acessará as revisões do veículo e seu perfil de direção para definir o melhor preço na hora de renovar o seguro do carro. Também poderá acessar dados sobre viagens, sua condição física e hábitos de sono e alimentação.

Será possível perguntar ao assistente virtual sobre eventos na cidade e o app levará em conta suas preferências e as do seu par, comprará os ingressos, escolherá o melhor local para sentar e não haverá mais filas.

SOA, Big data, Inteligência Artificial e IOT

Para que isso tudo seja possível, teremos que integrar sistemas entre si através do SOA (Service Oriented Architecture) ou equivalente, o que já é uma das apostas da IBM com o Mobile First e de tantos outros, mais rudimentares, como o o IFTTT (If this than that).

Precisaremos de grandes processadores de dados que consigam interpretar comportamentos e preferências para gerar irem “mais direto ao ponto”. O Big data também fará composições sobre o que você posta nas redes sociais, os locais que frequenta e outras informações contextuais.

Certamente utilizaremos a Inteligência Artificial para compreender essas informações e automatizar a tomada decisões, também será possível automatizar ações como ligar para o “call center”, chamar o guincho ou agendar uma mesa no restaurante preferido.

E, por fim, quando a “internet das coisas” se tornar realidade, não precisaremos mais monitorar a comida no forno, o motor do carro, o desligamento do ar-condicionado etc. Os apps saberão o que nos deixa felizes, saudáveis e o que melhora nossos relacionamentos com os outros, pois serão capazes de monitorar nossas condições físicas.

Os atletas de corrida não precisarão mais baixar aplicativos e nem configurar programas, pois os assistentes acessarão aplicativos virtuais (Software as a Service) e ativarão o uso automaticamente.

Quão distantes estamos?

Pouco e muito!

Pouco, porque das tecnologias citadas apenas o IOT engatinha, todas as demais já são “antigas”. Falta massa crítica, ou seja, pessoas capazes de investir em quantidade suficiente para trazer retorno às empresas prestadoras de serviço.

Muito, porque isso tudo vai requerer que as empresas pensem em novos modelos de negócio e que compartilhem o acesso às suas bases de serviços. Será algo como a Netflix e Bradesco dando acesso a um assistente virtual para que troque planos, recomende e pague por filmes sob demanda.

O que faremos depois disso?

Não estou falando em Singularidade ou da Skynet, mas de de conforto, segurança e a possibilidade de nos afastarmos de trabalhos repetitivos. Assim, poderemos investir nosso tempo para viajar mais, passar mais tempo com as pessoas que amamos e, principalmente, para inventar coisas novas.

Quando isso acontecer, as “máquinas” precisarão aprender novas rotinas sozinhas para se adaptarem às mudanças que surgirão.

Agora veja um vídeo da visão de futuro da NTT Data, grupo que adquiriu a everis, empresa onde trabalho atualmente.

 

Eli Rodrigues