Estratégia de lançamento de um aplicativo corporativo

O escopo delimita o que faz parte do projeto (as funcionalidades do aplicativo). A partir dele se calcula o tempo e o custo, quanto maior o escopo mais longo e mais caro será o projeto.

Existem milhões de aplicativos nas lojas atualmente e, por isso, é preciso mostrar um benefício real para que as pessoas baixem e continuem usando um app. O escopo deve estar relacionado aos principais serviços da empresa visando o melhor custo-benefício e o app deve ser melhorado continuamente a partir da experiência do usuário.

Este post aborda a definição de escopo de um app, as estratégias de lançamento e os processos de monitoramento e melhoria contínua. Boa leitura!

O Escopo do aplicativo

A primeira coisa a fazer é identificar quais são os principais serviços da empresa. Vejamos alguns exemplos:

  • Bancos – Saldo, pagamentos e transferências.
  • Hospitais – Agendamento de exames e consultas.
  • Telecom – Conta do telefone ou saldo pré-pago, histórico de ligações e aquisição de planos de dados ou ligações.
  • Seguradoras – Aviso de sinistro, cotação de seguro, corretores e kit do segurado (o que o cliente tem direito com o seguro que comprou)
  • Companhias aéreas – Check-in e consulta de status do voo.
  • Varejistas – Adquirir produtos, consultar o status das entregas e promoções.
  • etc

Os serviços variam por empresa, portanto, é importante fazer uma avaliação de custo-benefício para cada caso.

Custo x Benefício de cada funcionalidade

Não é necessário ser especialista em tecnologia para ter noção da complexidade, mas é preciso conhecer bem o negócio para avaliar o benefício que a funcionalidade trará.

Matriz de Custo-Beneficios - Avaliacao de funcionalidades de um app bancario v2

No exemplo, aplicado a um app bancário, utilizei uma escala de 1 a 5 para avaliar as funcionalidades. Note que a complexidade varia de acordo com as integrações com outros sistemas ou com a dificuldade para implementar as interfaces . Clique aqui para baixar a planilha completa.

MVP

Em seguida, deve-se seguir para o MVP (Minimum Viable Product), que nada mais é que o mínimo aceitável para lançar o produto. A partir do MVP, você deve poder:

  • Lançar o app rapidamente
  • Testar o conceito de negócio
  • Medir o uso das funcionalidades principais
  • Priorizar quais funcionalidades devem evoluir
  • Identificar quais outras funcionalidades são demandadas pelos clientes

Lembre-se que o app poderá melhorado periodicamente, o que causará uma sensação muito mais agradável do que aguardar meses por um app que não atende às necessidades do público.

Orçamento

A decisão do MVP passa pela análise orçamentária, é preciso descobrir quanto a empresa está disposta a “apostar” num aplicativo antes de definir quais serão suas funcionalidades. Para exemplificar, suponhamos que uma dada empresa tenha restringido o orçamento do projeto em 300.000 reais e que o custo de cada funcionalidade seja calculado através da fórmula: 30.000 reais x complexidade de implementação.

Matriz de custos para funcionalidades de um app v2

Nesse exemplo, o app inteiro custa 1.350.000 reais e precisaremos escolher quais funcionalidades serão implementadas. Seria fácil se tudo se encaixasse, mas o orçamento já é ultrapassado nas 3 primeiras (saldo, informações sobre o banco e pagamentos).

Análise das Funcionalidades

Sendo o saldo uma funcionalidade indiscutível para um app bancário, ficamos entre informações e pagamentos. Reduzir o escopo de informações sobre o banco seria financeiramente insignificante, mas retirar essas informações poderia ser catastrófico. Então nosso gestor de produto decidiu redefinir a funcionalidade de pagamentos e resolveu limitar os tipos de pagamentos para pagar apenas contas de concessionárias de energia e água, baixando assim o custo de desenvolvimento e encaixando no orçamento.

Você pode estar se perguntando: Como vou lançar um app que só paga energia e água? Será um fiasco!

Pois é, mas ninguém disse que logo no mês seguinte você está proibido de lançar novos tipos de pagamento. Primeiro avalie o quanto as pessoas vão usar a funcionalidade, depois implemente. Esse é o conceito de MVP.

Estratégias de Lançamento

Hoje em dia, existem mais de 6 milhões de aplicativos nas lojas, são tantas opções de aplicativos que fica difícil de imaginar o que mais poderá ser lançado no futuro.

No mundo corporativo, há empresas que lançam produtos diferentes para cada segmento que atendem, o que aumenta ainda mais a base de apps, ao passo que os celulares seguem com limitações de memória, exigindo cada vez mais criatividade das empresas.

Quantos apps ha nas lojas em 2016
Fonte: Statista.com

Marketshare das Plataformas

Existem diversas plataformas e modelos de devices no mercado (celulares, tablets, smartwatches e outros gadgets), isso dificulta a definição de um escopo de atuação ao lançar um app, pois a empresa precisa escolher quais devices trarão a abrangência esperada.

marketshare mobile platforms 2016
Fonte: Netmarketshare.com

Dentre as plataformas existentes na atualidade, nota-se uma grande concentração na plataforma Android (66%), um padrão que vem se consolidando nos últimos 6 anos pelo menos.

marketshare mobile platforms 2009-2016
Fonte: Statista.com

A escolha deve ser feita pontualmente para otimizar o tempo e o custo de desenvolvimento, de acordo com o público-alvo definido.

Framework versus Funcionalidades

Antes de definir a solução arquitetural, observe quais tipos de funcionalidades o app terá. Uma solução adequada reduzirá o tempo/custo de desenvolvimento e acelerará o retorno (financeiro) do produto.

How to choose the best mobile framework- Native x Hybrid
Fonte: Outsystems.com

Por exemplo, se o produto utilizará sensores do celular, nada melhor que nativo; se o app é apenas informacional e tem poucas restrições de usabilidade, é melhor fazer um mobile web; se o app precisa ser multiplataforma devido a base de usuários, mas a maioria das funções é visual, é melhor usar um framework híbrido etc.

Insistir na padronização de um framework significa aumentar o tempo de desenvolvimento de determinadas funcionalidades. Se isso for uma realidade na sua empresa, melhor restringir o escopo ao framework e testar a real necessidade dos usuários.

Divulgação do app

Produzir um app é tão difícil quanto escrever um livro, o que poucas pessoas atentam é que um produto na prateleira não é sinônimo de vendas. A mesma coisa acontece com os apps, você precisa investir em propaganda para que as pessoas tomem ciência e baixem o produto.

Ao iniciar o trabalho de propaganda, lembre-se do conceito do funil de comunicação. Seja qual for a mídia, apenas um pequeno percentual verá o anúncio, um número ainda menor fará o download e apenas uma parte (a ser medida) continuará usando o app em longo prazo.

email-marketing-funil-vendas1
Fonte: http://ganharnainternet.com.br/como-criar-um-funil-de-vendas-com-o-e-goi/

Antes de investir em um evento de lançamento, defina um público-alvo (deseja atingir novos clientes ou clientes atuais?), faça um plano de mídia para avaliar onde estão esses usuários, quais canais acessam, o que mais lhes chama a atenção.

Não tenho um número mágico, mas tenho observado empresas gastando em torno de 1 real por download. Sua empresa está disposta a gastar esse valor? Será que o retorno financeiro será superior aos custos de produção e propaganda?

Alguns exemplos de mídias utilizados:

  • Fazer um mailing
  • Banners no seu site
  • Banners físicos nas suas agências de atendimento
  • Propaganda no Google, Youtube e similares
  • Propaganda em redes sociais
  • Propagandas na mídia tradicional (TV, rádio, jornais e revistas)
  • Eventos de lançamento
  • Propagandas em outros apps e sites
  • Estratégias de guerrilha (tentar viralizar o app com alguma ação não-convencional)

Programa de incetivo com benefícios reais

Após o esforço de lançamento, prepare-se para montar um Programa de incentivo ao uso, oferecendo algum benefício ao cliente que se mantiver usando o app.

O que tenho visto no mercado de apps corporativos são empresas investindo em autosserviço, mobilidade e redução de custos operacionais. Os antigos apps institucionais, com informações gerais sobre a empresa, têm sido substituídos portais responsivo, mais fáceis de rankear no Google.

Em termos de retenção, existem programas de fidelidade, descontos e, principalmente, o uso da conveniência como diferencial. Mas lembre-se: o diferencial só existe se os concorrentes não tiverem algo similar.

Monitorar e melhorar

Uma vez que o app tenha alcançado sua base de usuários, deve-se monitorar o uso e o retorno financeiro do app. Com base nesses dados, sua área de canais digitais se mostrará como um departamento capaz de trazer retorno à empresa e solidificará o processo de transformação digital.

Medição de uso

Implante uma ferramenta estatística capaz de apontar claramente quais são os principais pontos de melhoria a fazer no app. Essa ferramenta deve ser capaz de responder as perguntas:

  • Os clientes estão baixando o app?
  • Estão mantendo o app no celular?
  • Os clientes continuam usando o app?
  • Quais funcionalidades são mais utilizadas e quais são menos?
  • Estão conseguindo chegar ao final das transações que começam?
  • Quais funcionalidades precisam ser melhoradas?
  • Quais funcionalidades precisam ser adicionadas?

Com esses dados, você poderá decidir se deve investir em pagamentos mais abrangentes ou seguir para outra funcionalidade, como transferências, no caso do app bancário.

Medição do ROI (Return of Investment)

O ROI é o retorno do investimento, para medí-lo é preciso dividir o “lucro” pelos custos. Para exemplificar, digamos que o app teve 1 milhão de downloads e que todas as funcionalidades são igualmente utilizadas.

Calculo de ROI por funcionalidade do app

Observando o cálculo de ROI para cada funcionalidade, descobrimos que todas trazem retorno financeiro positivo e que, portanto, vale a pena investir neste app.

Abatendo os custos de marketing

Para finalizar, devemos calcular retorno e custo das funcionalidades mais os custos de marketing:

  • Economia Total: 7.900.000
  • Custos de produção: 300.000
  • Custos de Marketing: 1.000.000 (no exemplo, 1 real para cada download)
  • ROI: (7.900.000 – [300.000+1.000.000]) / (300.000 + 1.000.000) = 5,08 reais de retorno para cada 1 real investido.

Se, neste exemplo, a empresa tivesse investido no escopo inteiro teria gasto 2.350.000, incluindo o marketing (1.350.000 no desenvolvimento + 1.000.000 no lançamento) e assim, mesmo se apenas as 3 funcionalidades principais fossem utilizadas pelos clientes teria um ROI de 236%. Baixe a planilha de exemplo aqui

Fechando o ciclo

Como gestores de canais digitais, devemos sempre apoiar as empresas a tomarem decisões efetivas, que justifiquem seus investimentos. Por isso, espero ter mostrado o quão importante é definir o MVP, lançar o app e medir o resultado antes de investir em muitas funcionalidades.

Um aplicativo, assim como qualquer outro investimento, deve ter seu risco ponderado pelo retorno e isso só se calcula através da utilização. Portanto, lance seu app o mais rápido possível e melhore paulatinamente os pontos que o mercado julgar mais interessantes.

Essa é a dica do dia!

Eli Rodrigues

 

2 thoughts on “Estratégia de lançamento de um aplicativo corporativo

  1. Parabéns Eli, excelente conteúdo.
    Sou Gerente de uma empresa e hoje temos como principal produto é o lançamento do nosso App.

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