Um breve histórico do mundo dos apps e o que vem pela frente

Capítulo 1 – Primeiros celulares

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Há muito tempo atrás, em 1947, já existiam torres de telefonia celular. Em 1956 já se usavam telefones automotivos na Suécia (imagino como devia ser o sinal rs).

Em 1973 a Motorola lançou o handheld, utilizado por esse charmoso senhor chamado Martin Cooper (não é o Papai Noel), que foi quem fez a primeira ligação por celular portátil da história da humanidade.

Em 1996 veio ao mundo o Motorola Startac, popularizando os celulares de uma vez por todas.

Lembro bem que, em 2003, os projetos de mobilidade construíam agendas, galerias de fotos, apps para fazer chamadas, enviar SMS etc.

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Era um tempo rústico em que cada empresa construía sua própria plataforma e, por consequência, tinha que produzir todos seus apps, na esperança de que apps melhores que os dos concorrentes trouxessem mais clientes.

Em 2007 nasceu o Nokia 6120 e deu uma balançada no mercado, pois conseguia ser barato e inovador ao mesmo tempo. Ainda não era um Smartphone, mas já fazia bastante coisa legal (como o jogo da cobrinha rs).

Capítulo 2 – Smartphones

Então evoluímos para os Smartphones, certo? Na verdade o Tesla já tinha construído o conceito 1909, mas o primeiro protótipo só foi patenteado em 1974 (antes de eu nascer). Em 1984 começaram a surgir os PDAs e em 1993 a IBM lançou o Simon.  Lá pelos anos 1990 os PDAs começaram a ficar mais interessantes com o Palm OS, Blackberry etc.

Finalmente, em 2002 a Blackberry lançou seu primeiro smartphone seguida pela Apple em 2007 com o iPhone. Vários outros fabricantes lançaram devices pelo mundo, eu mesmo participei de alguns lançamentos entre 2003 e 2006, mas eles não entraram para a história.

Capítulo 3 – App stores 

Não sei quem teve a ideia primeiro, mas, em 2008 a Apple e Google lançaram suas plataformas. A primeira era proprietária e tinha o conceito de marketplace, onde qualquer pessoa poderia produzir e vender seus produtos em troca do pagamento de um percentual à Apple. A segunda tinha exatamente o mesmo conceito, mas era aberta para ser adaptada por quem tivesse interesse. Quem venceu a briga?

IDC: Smartphone OS Market Share 2015, 2014, 2013, and 2012 Chart

Mais tarde, em 2009, participei de um projeto para um grande player de mobilidade, que desejava medir a viabilidade financeira de migrar todos seus apps para Android. Temeroso de que o Google “dominasse o mundo”, queria auferir seu risco.

Em 2011, quando a Amazon resolveu lançar sua appstore, a “humilde” Google Play já possuía 380 mil apps, frente aos 16 mil do final de 2009. Nesse tempo, bastava falar a frase “tive uma ideia de aplicativo” e pronto, todos paravam para ouvir como seu amigo ficaria milionário vendendo joguinhos de palitos por 1 dólar o download.

Nessa época, grandes players começaram a entrar na ciranda tentando “surfar a onda”, que já estava numa íngreme subida, como sabemos hoje. Os “grandões” investiram pesado em construir coisas que um adolescente jamais conseguiria sozinho e o público naturalmente migrou para as melhores opções.

Capítulo 4 – Guerra dos apps

Não encontrei  registro de qual empresa lançou o primeiro app corporativo no mundo, mas posso afirmar com certeza de que era um app informacional. No princípio, se faziam apps com intuito de refletir o site da empresa, para marcar presença no “mundo digital”.

Depois vieram os apps de comunicação, ainda muitíssimo utilizados, como Facebook, Twitter, Whatsapp, Instagram etc. Tecnicamente muito simples, meros reflexos da web.

Mais adiante, os apps começaram a trazer algum valor real às pessoas, através de serviços (APIs) que economizam tempo, melhoravam a mobilidade e/ou a satisfação de quem os utilizava, por exemplo: pedidos, cotações, abrir conta bancária no app, aviso de sinistro em seguradoras, acesso às notas de um aluno na faculdade, marcar consulta no hospital etc.

Então vieram os apps que usam sensores do celular, GPs, biometria, giroscópio, luminosidade, umidade etc. Desses, os mais úteis que me vem à cabeça são o Waze (embora não se trate apenas de sensores) e aqueles que fazem medições de ambiente e montam plantas baixas.

Capítulo 5 – Sensores e Serviços

Se dividíssemos o mar de empresas no meio, poderíamos dizer que:

Um lado do mar vem seguindo na linha de conectar coisas como: TV, relógio, óculos, beacons e outros gadgets, o que traz aplicações como o pagamento por celular, agora em fase inicial. O outro lado está na fase de criar barramentos de interfaces (APIs) para expor serviços conectáveis via Internet.

Com a orquestração das APIs será possível resolver problemas complexos, por exemplo: Descobrir porque uma antena não está funcionando no interior do Mato Grosso. Para isso, é preciso:

  • Saber quem é o cliente
  • Se ele tem uma antena
  • Se ele está em dias com os pagamentos
  • Se existe alguma manutenção programada na região
  • Se houve alguma interrupção de serviço
  • Etc.

Cada uma das linhas acessa um ou mais serviços, que acessam outros sistemas legados, para dar uma única resposta à pergunta: Por que minha antena está fora do ar?

Capítulo 6 – Cognição

Quando esta etapa se consolidar, teremos “APIs com sentido de existir”, que resolvem problemas reais das pessoas, o que nos leva ao próximo passo: Cognição.

Há alguns meses, venho trabalhando com projetos do que chamamos de “Assistentes Virtuais”. São motores cognitivos que entendem linguagem natural para extrair as intenções de quem escreve (ou fala) com a interface. Esses sistemas mapeiam conhecimentos de fontes diversas e constroem relações automáticas entre perguntas e respostas, abstraindo erros de ortografia, de sintaxe, regionalismos etc.

Quando o sistema não entende o que se quer dizer, faz mais perguntas, até que consiga achar relação entre o que você quer e o que ele tem para oferecer. E, quando ele não tem nada para oferecer, é capaz de procurar na Internet e construir uma nova resposta, que não estava prevista antes.

Ele também aprende através das interações com as pessoas. Conforme as pessoas respondem suas perguntas (ou avaliam o que ele respondeu) ele grava na sua árvore de conhecimento.

Capítulo 7 – Integração

Já sabe onde quero chegar, né? Isso mesmo.

No futuro, vamos ligar as “coisas” às APIs e interagir com isso tudo através do simples ato de falar, de gesticular e de tocar, exatamente como fazíamos antes do celular existir.

Assim, se não tiver mais leite na geladeira, você vai poder falar “pedir leite do mercado” e o produto será entregue na sua casa, exatamente como faz o iFood hoje com entregas de restaurantes. Se você estiver lendo na cama, poderá pedir para a luz se apagar e para o sistema de som tocar uma música calma. Se, por acaso, você lembrar que tem compromisso amanhã cedo, poderá setar o despertador via voz ou tocar nas paredes, onde certamente haverá monitores.

Por outro lado, também acredito na realidade virtual como forma de interação. Seja para viajar pelo mundo através de um óculos de imersão ou enxergar informações adicionais através da realidade aumentada, como o Hololens ou o finado Google Glass.

Capítulo 8 – Singularidade

Gostaria de acreditar que a Singularidade vai fundar a Skynet nos próximos 5 anos e que todos viraremos guerreiros do apocalipse, mas temos muito chão pela frente. Desenvolver requer massa crítica para ser economicamente viável e, para isso, as pessoas precisam se adaptar.

Ainda tem muita gente no mundo que prefere reuniões presenciais, mais gente ainda preocupada com poder, política e o usufruto da vida boa na beira do mar. Só a nova geração, se não retroceder por alguma razão qualquer, entenderá a tecnologia como parte fundamental da vida.

Achamos que estamos evoluindo muito rápido, mas lembre-se que o conceito do Tesla foi lançado 50 anos antes do “celular portátil” do Martin Cooper e só 34 anos depois saiu o iPhone. Foram 98 anos entre o conceito e um produto considerado completo por consenso.

Então, pode dormir tranquilo, pois a singularidade, se existir algum dia, será depois da nossa partida.

Essa é a dica do dia!

Eli Rodrigues