Como um ativo digital se relaciona ao modelo de negócio e à estratégia empresarial

Nos posts anteriores, discutimos se a transformação digital é uma estratégia de tecnologia ou de negócio e discorremos sobre levar a estratégia ao roadmap de projetos. Neste, abordarei como um ativo digital se relaciona à estratégia, levando em conta o modelo de negócio vigente.

Modelo de Negócio

Consideremos uma estrutura de plano de negócio baseada no  business model canvas, amplamente discutido em livros, palestras e pela internet afora.  Este modelo constrói uma proposta de valor baseada nos principais aspectos de um negócio, não diferindo, mas simplificando o raciocínio que serve como base para descrever o plano em si.

Nesta ilustração, o fluxo de receitas é o ponto de entrada (mais à esquerda), enquanto a estrutura de custos, principal responsável pela lucratividade do negócio, é representada como a saída (mais à direita).

O principal objetivo é oferecer uma proposta de valor aderente aos segmentos de clientes em que se trabalha através dos canais de contato (digitais, físicos ou phygitais), usando os “eventos” de relacionamento com o cliente para realizar as atividades-chave do negócio.

Toda essa estrutura deve ser suportada por recursos-chave, que são as pessoas, processos, ferramentas, e recursos financeiros em geral, mas também pelos parceiros-chave, que podem ser canais de vendas ou de apoio operacional.

Gerenciamento Estratégico

Uma vez que se tenha um modelo de negócio claramente definido, é possível definir uma estratégia. Nada impede que ela modifique o modelo, mas é pouco provável que se defina uma estratégia sem ter um plano de negócios primeiro.


Dos arcabouços vigentes para definir estratégias, tenho particular preferência pelo gerenciamento pelas diretrizes, explicado de forma muito didática pelo professor Vicente Falconi, em livro homônimo.

Resumidamente, neste modelo o primeiro passo é definir os objetivos da empresa. Em seguida, as diretrizes, compostas por  medidas (ações estratégicas) e metas (com indicadores mensuráveis).

As diretrizes então se desdobram em projetos, únicos e transformadores e em processos, contínuos, que suportam o negócio.

A relação com o ativo digital

No contexto estratégico, um ativo digital representa um “executor” do modelo de negócio e um “catalisador” da estratégia empresarial.

Como se pode verificar na figura, o ativo digital é um “executor” porque atua continuamente no suporte às atividades-chave, engajando os recursos-chave para atender o público-alvo através dos canais de atendimento aos quais implementa ou pertence.

 

Ele é também um “catalisador”, pois sua construção, manutenção ou melhoria é parte de uma ou mais diretrizes, seja ele um projeto ou uma ferramenta de suporte a um processo operacional.

Dito isto, resta comentar que os indicadores que medem o “sucesso” de um ativo digital são também compositores para as metas da própria estratégia, de tal forma que todas as coisas estejam intrinsecamente ligadas.

Um ativo digital construído sem essa conexão tende a extinção, visto que todos os recursos financeiros estarão voltados à manutenção ou evolução da empresa. Por outro lado, ativos digitais antigos, os “famosos legados”, existem e costumam dificultar um bocado a renovação do portfólio tecnológico.

No post seguinte, comentarei sobre a arquitetura digital, o que deve clarear um pouco sobre quais ativos devem ser construídos, quais devem permanecer e como se inter-relacionam.

Até lá!

Eli Rodrigues